Mensagem do Provedor

Mensagem do Provedor


A Irmandade da Santa Casa da Misericórdia de Mortágua, instituída no ano de mil novecentos e quarenta e oito, é uma Associação pública de fiéis, com personalidade jurídica canónica, cujo fim é a prática das Catorze Obras de Misericórdia, tanto corporais como espirituais, visando o serviço e apoio com solidariedade a todos os que precisam, bem como a realização de atos de culto católico, de harmonia com o seu espírito tradicional, informado pelos princípios do humanismo e da doutrina e moral cristãs. Por forma a todos terem conhecimento das obras de Misericórdia, enunciamos as mesmas:

7 Corporais:

  • Dar de comer a quem tem fome;
  • Dar de beber a quem tem sede;
  • Vestir os nus;
  • Acolher os errantes;
  • Visitar os doentes;
  • Libertar os prisioneiros;
  • Sepultar os mortos;

7 Espirituais:

  • Dar bom conselho a quem pede;
  • Ensinar os ignorantes;
  • Corrigir os que erram;
  • Consolar os que estão tristes;
  • Perdoar as injúrias;
  • Suportar com paciência as fraquezas do nosso próximo;
  • Rogar a Deus pelos vivos e pelos defuntos;

As obras de Misericórdia não são estanques e devem ser interpretadas à luz da realidade atual. Vários programas e projetos de apoio surgiram e finalizaram, debates e congressos foram realizados em torno de temas como a pobreza e exclusão social, todavia, nos dias de hoje e cada vez mais conhecemos famílias inteiras a passarem necessidades, disfuncionais e monoparentais, em que claramente a mensagem cristã de “família” está a esvaziar-se…Por mais esforços interinstitucionais, ainda estamos perante uma sociedade solitária com aldeias a despovoarem-se, em que a emigração faz recuar-nos no tempo.

A crise de valores, morais e sociais, está bem patente, competindo às entidades de cariz religioso reforçar os conceitos, a sua prática de atuação, a doutrina mas, acima de tudo, estimular a cidadania inclusiva, numa visão de parceria com as escolas, empresas, entidades políticas, pois só assim conseguiremos rumar para outra direção, a da sociedade justa e equitativa.

As Misericórdias devem estar atentas aos que sofrem estas realidades e de algum modo suavizar o seu sofrimento. Não devemos ficar só pela caridade, é também nossa obrigação lutar por um Estado Social que atenue as disparidades.

Também, enquanto Instituição, com responsabilidade civil, não podemos nem devemos estar só na dependência dos acordos que protocolamos com o Estado. É nossa obrigação e nosso dever criar meios de sustentabilidade para que possamos amanhã repartir por aqueles que deles necessitam.

Enquanto Irmãos devemos estar mais preocupados em saber o que podemos e devemos fazer pela nossa Irmandade da Misericórdia.

Na qualidade de Provedor, compete-me liderar e comandar os destinos desta Misericórdia, dos cerca de 160 colaboradores, mais de 300 utentes que cuidamos diariamente com serviços de referência, proativos e eficazes, cumprindo a legislação em vigor nos cinco edifícios, numa visão servidora mas também corajosa, prudente e determinada.

Nesta conjuntura socioeconómica, com políticas cada vez mais estranguladoras, cabe-me fomentar a esperança, com persistência, apelar à responsabilidade social das empresas, unir esforços para a realização de atividades de captação de recursos e angariação de fundos, demonstrar que o que fazemos, fazemos bem, para quem mais precisa.

Assumo que podemos não ter a astúcia para gerir o “xadrez do poder”, influenciar aqueles que muito podem fazer por nós, mas não devemos esquecer a nossa missão, a génese da Irmandade, o nosso papel nesta sociedade em que a humildade deve estar sempre a par da ambição, perseverança e firmeza.

A Misericórdia, enquanto entidade empregadora, assume um papel crucial no desenvolvimento regional, um agente local, promovendo postos de trabalho, capacitando todos aqueles que passam nas diferentes respostas sociais/serviços, promovendo oportunidades aos mais jovens para partilharem as suas aprendizagens académicas, estimular parcerias com entidades fora do concelho, auxiliando as outras organizações na preparação de eventos e divulgação das tradições e raízes mortaguenses.

A nossa estratégia é demonstrar aos demais quem somos, o que fazemos, criar novos projetos, novos serviços, crescer mas de forma sustentável, apelando a um espírito de maior solidariedade, de compaixão na partilha dos Vossos bens como produtos alimentares, roupa, materiais didáticos/informáticos para ser possível dividir por quem mais precisa, assim como donativos para tornar realidade os sonhos de quem abrigamos e partilhamos cuidados e felicidade. É pois importante que saibamos interpretar as 14 obras de Misericórdia nos dias de hoje e agir em prol das mesmas.

Provedor da Santa Casa da Misericórdia, Dr. Vítor Fernandes

 

 

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Dr. Vítor Fernandes